Terça-feira, 21 de maio de 2024

Polícia do RJ prende em SP acusados de negociar armas do furtadas do exército

Dois suspeitos de negociar as 21 armas furtadas do exército no ano passado foram presos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na noite desta quinta-feira (11), em São Paulo.

Jesser Marques Fidelix, o Jessé, e Márcio André Geber Boaventura Junior foram presos no momento em que estavam em um veículo de luxo, deixando um condomínio também de alto padrão em Santana de Parnaíba, na região metropolitana da capital paulista.

De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a dupla estaria ligada diretamente à negociação ilegal de armas, inclusive as do exército, que teriam sido oferecidas para o Comando Vermelho (CV), a maior facção criminosa do tráfico do estado do Rio.

Depois de recuperar oito das armas, em ação anterior, a polícia civil chegou até os dois negociadores após ter acesso a vídeos que circulam nas redes sociais e que indicariam que os dois estariam negociando o armamento, principalmente de uso restrito, para abastecer a disputa entre traficantes e milicianos na zona oeste da capital fluminense.

As equipes da DRE, que contaram com o apoio do Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (DENARC), no âmbito do projeto IMPULSE, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, aguardam a realização da audiência de Custódia, em São Paulo, para levar os presos para o estado do Rio de Janeiro, onde ficarão à disposição da justiça.

Nesta sexta-feira (12), os policiais cumprem nove mandados de busca e apreensão no Rio e em São Paulo. Os alvos seriam pessoas ligadas aos dois presos, que estariam envolvidas nesse e em outros crimes, como a receptação e clonagem de veículos para fins de escambo por armas com grandes fornecedores de armas.

Até o meio da manhã, os policiais tinham conseguido apreender uma pistola com dois carregadores e munição, um rastreador, quatro veículos de alto padrão, um caminhão, 12 telefones celulares, três notebooks, pen drives, documentos diversos, dentre outros materiais de relevância à continuidade das investigações.

As 21 metralhadoras sumiram do arsenal de um quartel, em setembro do ano passado, em Barueri, na Grande São Paulo. Dezenove metralhadoras haviam sido foram recuperadas, no Rio e em São Paulo. Duas ainda são procuradas.

Em fevereiro, o Exército concluiu a investigação sobre o furto. Quatro militares e quatro civis acusados pelo desaparecimento das armas foram indiciados por furto, peculato, receptação e extravio de armas.

O Comando Militar do Sudeste confirmou à CNN que um desses civis foi preso na ação da Polícia Civil do Rio e disse permanece atuando para a recuperação das duas armas restantes, bem como para a responsabilização de todos os envolvidos.

O caso foi remetido ao Superior Tribunal Militar (STM), que determinou, em março, que os cabos Vagner da Silva Tandu e Felipe Ferreira Barbosa, permaneçam presos pelo envolvimento direto no roubo. A decisão foi uma resposta a um pedido da defesa dos militares, para que a prisão preventiva de ambos fosse revogada sob o argumento de que a demora do julgamento poderia trazer prejuízo à dupla.

Outros dois militares da corporação, sendo um tenente-coronel e um tenente, que também foram indiciados pela participação indireta no crime, respondem ao processo em liberdade.

Se forem considerados culpados, os militares poderão receber penas de até 50 anos de prisão e depois serem expulsos do Exército.

Íntegra da nota do Comando Militar do Sudeste

O Comando Militar do Sudeste informa que um dos civis denunciados pelo Ministério Público Militar no Inquérito que investiga a subtração das armas no Arsenal de Guerra de São Paulo foi preso pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira, 11 de abril, na região de Santana do Parnaíba-SP.

A Polícia Judiciária Militar está em contato com a Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Rio de Janeiro, a fim de esclarecer os fatos que envolveram a prisão de um dos réus do mencionado Inquérito.

O Exército permanece atuando para a recuperação das duas armas restantes, bem como para a responsabilização de todos os envolvidos, de forma integrada com outros Órgãos de Segurança Pública.