Terça-feira, 21 de maio de 2024

Cid reafirmou conteúdo da delação, ao depor ao STF, antes de ser preso e desmaiar

O tenente-coronel Mauro Cid reafirmou em seu depoimento na sexta-feira (22), ao Supremo Tribunal Federal (STF), o conteúdo da delação premiada que assinou com a Polícia Federal (PF). O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) havia sido chamado a depor novamente após a revista Veja publicar áudios em que o militar critica a atuação do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, e a Polícia Federal (PF).

Durante a audiência, Cid confirmou que mandou mensagem de áudio a amigos, em tom de “desabafo”. Mas, ao contrário do que disse nas mensagens, o militar reafirmou que decidiu delatar espontaneamente os fatos que presenciou durante o governo Bolsonaro e que não houve pressão do Judiciário ou da PF para fazer as acusações.

Após ser ouvido, Cid recebeu voz de prisão, que foi determinada por Moraes por descumprimento de cautelares impostas em setembro, quando o limitar foi solto após fazer a delação, e por obstrução de Justiça, ao falar sobre a colaboração nos áudios com terceiros.

Segundo informações dos jornais Folha de S.Paulo O Globo e da CNN BrasilCid passou mal e desmaiou ao saber que seria novamente detido, e teve de ser atendido por socorristas do Supremo. A CNN disse também que a PF fez uma nova busca e apreensão na casa do tenente-coronel em Brasília.

O depoimento durou cerca de uma hora e foi presidido pelo desembargador Airton Vieira, juiz instrutor do gabinete de Moraes. Também participaram um representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa do militar.

Prisão, delação e indiciamento

Cid já havia sido preso em maio do ano passado, durante uma operação da PF para investigar fraudes na carteira de vacinação do ex-presidente e de aliados. Após prestar três depoimentos, o ex-auxiliar de Bolsonaro fechou um acordo de colaboração premiada com a polícia, que foi homologado por Moraes em setembro.

Agora, segundo o STF, a validade dos termos da delação de Cid passam por análise. O ex-ajudante de ordens já corria o risco de perder os benefícios da colaboração, após a PF constatar lacunas durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

Cid e Bolsonaro foram indiciados pela polícia na terça-feira (19), junto com o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ), pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema público. Os investigadores concluíram que certificados de vacinação contra a Covid-19 foram falsificados.